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Definitivamente eu estou perdidinha em ser mãe de duas crianças. Não consegui ainda concatenar os horários, as meninas e a vida delas e a minha ao fato de que agora são duas. Na verdade, acho que é porque eu exigo de mim uma perfeição impossível ao querer atender duas crianças como se cada uma delas fosse única e ai a coisa vira uma bola de neve porque Duduca, que não é boba nem nada, pegou isso e agora deu pra jogar culpa em mim – e eu, como boa culpilda que sou, pego e fico ar-ra-sa-da.
E fica aquela coisa de nunca estar no lugar que se está. FIco com a Duduca sem qualidade, com a Fernanda sem qualidade e eu mesma fico sem mim…Aliás, estou com uma saudade de mim mesma….
É…acho que estou fazendo uma salada russa na minha vida e o pior é que ainda não descobri como parar isso.
QUer dizer, comecei a notar. Agora é parar, respirar e seguir a diante com a cuca fresca. Mas, calma: cuca fresca como???? Acho que nunca tive isso não…

Tenho que admitir:

A mais amadurecida aqui em casa é a Duduca. Definitivamente, é.

Outro dia Fernanda teve uma daquelas crises de choro que me tiram o chão. Ela estava com a babá porque eu estava, em tese, ficando um pouco com a Duduca, mas estava hiper mega blaster irritada com a choradeira (porque é impossível uma pessoa não ficar, além de extremamente preocupada, muito irritada).

Ai comecei a descontar na Duduca e lá pelas tantas, ao notar o que estava fazendo, me desculpei. Ela perguntou por que eu estava tão irritada e eu falei que era por conta do choro da Ferndanda. Então aquel serzinho de 3 anos olha pra mim e fala:

- Mamãe, a Fernanda é bebê e bebê chora.

O pai, num outro dia, disse que queria trocar o carro. A Duduca então disse que não queria que o carro fosse trocado, a final, segundo ela, nosso carro é lindo e cabe todo mundo.

Ai o pai disse que o novo carro tb seria lindo e caberia todo mundo e blábláblá. Então ela vira e responde:

- Rô, não é assim. Carro é muito, muito, muito caro. Tem que juntar muito dinheiro pra poder comprar e a gente só tem que comprar se precisar muito.

Então. Ela é ou não é a mais amadurecida da tchurma?

Minha avó é uma mulher sábia e extremamente ativa. Com noventa e tantos anos, quatro filhos, doze netos e uma vida inteira, ela acompanha a vida dos netos e dos filhos, nos liga sempre, da palpite, cozinha, lava, passa, acompanha todas as notícias e tem opinião formada – e muitas vezes bem mais mudeeeerna que a minha – sobre todos os fatos. E  certamente ela tem muito a ensinar.

Quando a Duduca nasceu, ainda na maternidade, ela me ligou e contou uma história (porque ela sempre conta uma história pra dar um conselho). Diz que lá em Minas tinha um professor muito sábio. Um dia uma mãe ligou para o tal professor e perguntou: “professor, a partir de quando eu devo educar o meu filho?” E o professor respondeu perguntando a idade do filho da moça, que, à época, tinha três meses. Então ele disse a ela “pois é, você já perdeu três meses”.

Essa história foi contada pela minha avó na tentativa que eu deixasse a Duduca bastante no berço e no carrinho, a final eu voltaria a trabalhar num prazo de cinco meses a contar daquele dia. E eu não fiz isso porque ela chorava demais e o colo parecia ser o melhor lugar pra ela.

Com isso a Duduca aprendeu a dormir no colo, coisa que, de início, não era de todo o mal, pois com três meses ela dormia em cinco minutos, eu a colocava no berço e assim ela ia até o dia seguinte. Mas com seis meses ela começou a acordar todas as madrugadas, hora após hora, e a nossa vida – e a dela também, ficou complicada. Tanto ela como eu e marideo viviamos cansados, mal-humorados, indispostos, o que só foi resolvido com o Nana, Nenê, do Eduard Still (que ao contrário do que todo mundo acha, não manda abandonar o filho chorando no berço sozinho pela noite adentro).

Com essa experiência e com todo esse sofrimento, eu e marideo combinamos que com a Fernanda tudo seria diferente, a final já dizia a minha avó: acostume-a no carrinho ou no berço e tudo dará certo.

Mas, como dizia um famoso jogador de futebol, a gente esqueceu de combinar com os russos…

Fernanda chora. E chora muito. E tem cólica. E aquilo deve doer que é um horror. Basta estar acordada para ela estar chorando. E juro, por mais que eu queira, eu não consigo acreditar que uma criança de um mês e poucos dias faça essa manha toda. E a coragem pra seguir o conselho da minha avó?????

Rapidinhas:

-Por conta da cólica da Fernanda eu já perdi dezesseis quilos desde que ela nasceu. Isso mesmo, dezesseis… Já estou três quilos mais magra do que antes de engravidar dela. Quer a receita? Corte todos os doces, café, leite e derivados, feijão…passe a viver de arroz, chuchu, vagem, cenoura, file de frango, bife, banana e mamão.

-Duduca está impagável, uma fofa, super divertida. Agora vai começar a natação que ela conseguiu arrancar do pai no gogó.

-Meu casamento está reentrando nos eixos. É engraçado porque quando a Duduca nasceu ele desandou bem. O nascimento da Fernanda, de alguma forma, está nos unindo bastante.

- A babá da Duda não é mais babá da Duda. Ela pediu pra mudar de cargo e eu acabei achando melhor demití-la diante do péssimo desempenho na nova função. E o melhor de tudo: a Duduca não sofreu nadica de nada com isso….e eu sofri uns 15 dias essa demissão achando que minha filha ia ficar triste..

- São 23h49min. Eu estou trôpega de sono, mas vou amamentar ainda e rezar pra Fernanda ir até amanhã…Avê Maria….

Tenho tanta coisa pra dizer e tão pouco tempo pra falar…

Realmente as coisas não são fáceis nesse começo. Não estou me queixando – como sempre faço – no sentido literal da lamúria. Estou só constatando: ter dois filhos, um de um mês de idade, não é fácil.

Eu tenho aproveitado o tempo interminável das mamadas pra pensar na minha vida, na minha postura frente a ela e rever posições. Penso na minha relação comigo mesma, com meu marido, com a Duduca, com todos.

Em relação a mim mesma eu resolvi tentar começar a ver o lado cheio do copo. Não que eu não o veja, mas sempre fui do time que dá mais ênfase ao lado vazio e tira sarro dele e de si mesmo para os outros acharem graça, enfim, sempre fui do tipo do mal-humorado ranzinza e engraçado. Mas resolvi parar de ser assim e lutar feito uma louca contra isso.

Também estou jogando a toalha: por mais que eu tente, não vou conseguir jamais dar a mesma atenção que dava antes para a Duduca, nem em termos de quantidade, nem em termos de qualidade. Acho que isso dói mais em mim do que nela, que me procura bastante e quando não está cansada demais consegue entender que eu estou amamentando ou trocando fralda ou tentando fazer a Fernanda parar de chorar.

Meu casamento, por outro lado, não está fácil. Marideo era quem mais queria o segundo filho e tem se saido excepcional com a Duduca nos momentos que tem com ela, mas não chega em casa antes das 22 da noite, hora que Duduca já esta dormindo, e  eu estou de cabelo em pé e fula da vida com ele…

Pois é…

Mas como eu dizia, vou começar a ver o lado cheio do copo….

O nascimento…

Fefê nasceu dia 09. Nasceu bem, gordinha, grandona..é uma fofa. E é tranquila (bate na madeira e vou falar bem baixinho pra ninguém ouvir, mas ela dormiu todas as noites até hoje, muito embora acorde pra mamar).

Duduca, por sua vez, ainda não decidiu exatamente o que sente pela irmã. No começo odiou a idéia de ter que me dividir, queria colo o tempo todo, chorava pra tudo, mas logo depois relaxou e até me ajudava com as coisas. Mas como nem tudo são flores, hoje voltou pra escola e voltou atacadíssima. Uma coisa que tem me tranquilizado bastante é o fato dela verbalizar o que está sentindo e dizer claramente o que não gosta nessa vida de irmã mais velha porque assim fica beeem mais fácil de eu conseguir ajudá-la a aceitar que tem uma irmã e ver que isso é sim legal.

Eu, por minha vez, estou só o pó do coió. Estou cansada pacas, mas pra usar de uma sinceridade ímpar, mesmo tendo que erguer as mãos pro céu pra agradecer pelas minhas filhas, por tudo, acho essa primeira fase, esses primeiros dias muito chatos, muito embora eles estejam sendo enormemente melhores do que os da Duduca.

Além disso eu ando extremamente chorona e com uma angústia horrorosa no finalzinho da tarde, mas já sei que é normal. Mais dia, menos dia, isso passa….

Vou ficando por aqui porque vou aproveitar o silêncio que agora impera nessa casa (as duas dormiram) e vou dormir também.

Tá chegando a hora..

Hoje é meu último dia de trabalho no trabalho e ai saio de licença. Digo de trabalho no trabalho porque quem já teve filho sabe muito bem (e quem não teve e vai ter o primeiro, sorry por avisar) que o período de licença maternidade é um trampo sem fim.

Mas eu já estou sentindo uma falta inenarrável de vir aqui, sentar nessa minha santa cadeirinha, me irritar, ficar brava, ficar feliz, almoçar com os amigos, ver as pessoas…

Mas é a vida, né?

E olha…não queria contar assim, de sopetão, mas o parto está praticamente marcado pro dia 04 (e se alguém disser que vai ser dia 09 eu mato)….e a Fefê não tem quarto, não tem carrinho e não tem quase nada…

Quer dizer…semana que vem eu tenho um monte de coisas pra fazer.
E olha: quem for me visitar na maternidade, não espere enfeite de porta não, tá?? Prefiro nem comentar esse assunto…
Mas lembrancinha vai ter…

Ah, e por fim: falta 1 cm pra eu não caber mais no box. Alguém consegue entender a minha pressa???

Pra Duduca

Duduquinha linda,

Minha princesa amada,

 

Há 3 anos vc nasceu. Juro, filha, que no começo morri de medo de tudo. Tinha muito medo que vc morresse, que tudo desse errado, que eu odiasse essa vida de mãe, que eu não fosse capaz.

As coisas não foram fáceis pra mim de início, mas vc fez tudo mudar. Você me mostrou uma nova vida, me ensinou a ser mais leve, mais divertida, menos rígida e a ver que as coisas não são só “sim” ou “não, “direita” ou “esquerda e “certo” ou “errado”.

Por isso, filha, hoje, no seu aniversário, eu só tenho a te agradecer. A agradecer por você ter vindo pra este mundo, por você ser quem é e por ser exatamente do jeitinho que é.

E olha, como eu sempre te digo, você é o amor da minha vida!!

Parabéns, Duduca.

Que a vida te dê tudo o de mais lindo no mundo, que a vida seja doce com você como você é com ela e que você saiba sempre ver o lado bom da vida, como você sempre faz.

Te amo muito.

Pânico

Sabe, eu admiro pessoas que só falam as coisas positivas de si. Eu queria meeesmo ser assim. Aliás, minha mãe queria me ensinar a ser assim, a não falar das minhas mazelas, dos meus tombos, dos meus foras,  mas, infelizmente, não conseguiu.

Eu tinha uma amiga que nunca contavasobre nenhum defeito dela. Mais do que isso…minha sogra é assim…aquele tipo de pessoua que conta que os filhos nasceram dormindo a noite toda, limparam a boquinha com guardanapo de linho com um mês, nunca choraram pra dormir ou que o cocô de nenhum deles nunca vazou…

E olha, não tô falando mal de ninguém aqui não, viu!! Minha maior admiração pra quem é assim!! Mesmo!!!

Mas eu não sou, até porque me divirto com o cocô que vazou da fralda, a boca suja e sei lá mais o quê. Mas o que aconteceu comigo – e motivou esse post – está fora de qualquer previsão…

POis é. Minha barriga já não está mais nem um pouco pequena…e eu, minhas caras e parcas leitoras, não sou magra há séculos, como vcs estão cansadas de saber.

Então juntou barrigon com corpon…

E eu cheguei arrasada do trabalho na quinta-feira. E tomei um banho e coloquei a minha blusinha roxa, uma das poucas que ainda me cabem, com uma calça de pijamas florida.

E sai toda feliz pra ir brincar com a Duda….

E ela olhou pra mim com aquele olhar inocente (e sincero) de uma criança de 3 anos e falou: mamãe, você está parecendo o Barney.

E fez-se o silêncio (mentira, porque eu ri pra não chorar)…

E agora a dúvida é: o que eu faço??? Saio da maternidade direto pra um spa ou respiro fundo pra não chorar??

ET. – Já joguei a blusa roxa na fogueira

A máquina é minha

Pois é. Há tempos que eu venho aqui pra reclamar, né?? Reclamar do barrigão, do cansaço blábláblá..

Pois agora vim trazer uma novidade quente: meu marido descobriu uma ponta de estoque de saldão de uma loja de eletrodomésticos e foi lá. Blábláblá com a vendedora e conseguiu convencê-la a falar com o diretor que tinha reservado pra si uma máquina de lavar roupas daquele modelo que só falta falar.

Sim…ela é MINHA!! Tá lá na minha área!!! Linda, vermelha e poderesa!! E melhor, pela metade do preço!!

E viva marideo.

 

Agora, só pra não perder o costume: que calor senegalez é esse??

Saco, saquinho, sacão.

Eu tenho uma admiração infindável por mulheres que amam ficar grávidas, que vêem nesse momento algo sublime, mágico, pleno e pheeeno…

Eu, sinceramente, detesto. Se me falassem que dá pra transferir a barriga para alguma espécie de estufa, por mais impessoal que isso pode parecer, eu transferiria. Juro…

Estou um caco humano. Tá, tô exagerando, mas em algum lugar desse mundo eu posso exagerar, né?? E esse lugar é aqui…

A minha situação é: abaixar sem ter a certeza que vou levantar. Sentar sem saber ao certo depois de quantos minutos a dor nos ossos da xo*ota vai passar. Deitar e só depois de uma meia-hora achar uma posição e, então, sentir uma vontade inenarrável de fazer xixi. Achar que não vou caber no box do banheiro dentro em breve e estar com os peitos parecidos com o daquela tal de boing-boing sem achar isso nem um pouco bonito. Além disso, ter pés inchados o dia todo e jamais, jamais poder reclamar porque ninguém tem nada a ver com isso, a não ser o Rodrigo, o causador de tudo (hohohoho)e tá, algumas amigas queridas que me ouvem mais do que queriam.

Eu sei…tenho plena convicção que sou uma pessoa cética, até um pouco pessimista. Mas alguém pode me dizer onde está o lado mágico disso tudo?? Tô falando numa coisa pessoal, não naquela coisa de “ai, que lindo, que mágico, estou gerando uma vida” porque isso, por pior que possa parecer a quem lê, também não me comove muito.

Por isso, todos os dias, depois de achar uma posição ficável na hora de dormir e levantar pra fazer xixi umas 15 vezes, eu rezo e peço um pouco mais de ilusão pra minha vida…

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