Meu pai morreu agora, no dia 20. As coisas não andam fáceis. A morte dele foi totalmente inesperada pra gente, muito embora ele tivesse cardiopatia grave há um bom tempo. É estranho falar sobre isso, seja porque eu nunca achei que alguém da minha família fosse morrer (sei que isso é ridículo, mas é verdade), seja porque eu sempre via a morte das pessoas da família dos outros como algo menos doido. Mas não é. E inclusive peço desculpas por esse engano.
Ai, esse ano, meu avô materno morreu um pouco depois de a minha mãe precisar fazer uma cirurgia. Logo após o meu pai morreu. Foi uma porrada atrás da outra.
Acho que o pior com o meu pai é que as coisas sempre foram meio nebulosas, sabe? Sempre, sempre. Durante muito tempo eu tive uma relação péssima com ele. As coisas melhoraram bem quando eu cresci, mas ainda eram muito ambíguas.
E ele morreu.
Eu fiquei.
É muito estranho falar sobre isso. Eu ainda não consigo, talvez porque não consiga definir exatamente os meus sentimentos, as minhas culpas, as minhas mazelas, nada disso ao certo, nem sei se algum dia vou conseguir definir.
Está muito difícil concretizar esse luto. As vezes eu falo mais sobre isso e consequentemente choro. Mas a minha vontade de falar é zero. Mesmo na terapia, ou com a minha mãe ou com minhas irmãs. As vezes falo algo com umas amigas queridas, mas em regra não tenho vontade. E essa falta de vontade é absolutamente estranha pra mim, porque falo até sobre o impacto sentimental da formiga que me picou. Mas sobre isso está difícil.
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novembro 4, 2010 por ananova1