Não é segredo pra ninguém que depois que a Fernanda nasceu eu tive uma belíssima depressão pós-parto. Mesmo sendo extremamente desorganizada comigo mesma, eu gosto de organização, de saber o que vem depois. E se tem uma coisa que não existe com bebê pequeno é isso de saber o que vem depois.
Então foram meses de verdadeiro horror, de eu imaginar o que tinha feito com a minha vida, que estava tão certinha. Me desesperei, chorei, fiquei mal, perdi o sono, tive diarréia, tremedeira, taque cárdia e o diabo a quatro, tudo decorrente de crises de ansiedade. Cheguei mesmo a pensar que a maior besteira do mundo foi ter tido o segundo filho e que minha vida jamais seria normal novamente, tudo isso como se eu já não tivesse vivido uma fase de puerpério.
Parei de conseguir dormir. Fiquei quatro dias praticamente acesa. Deitava na cama e ficava rezando (???) pra Fernanda não chorar. E quando ela chorava eu ficava histérica, como se o fato dela chorar ou não fosse o que estivesse me causando tudo isso.
Foi uma fase muito dura pra mim.
Foi duro ouvir dos médicos (e não foi apenas um) que a minha filha chorava tanto porque eu estava excessivamente nervosa e ansiosa.
Na época eu não acreditava, mandava a merda em alto e bom som. Consegui que um dos quinhentos e cinqüenta médicos passasse Label pra Fernanda porque, pra mim, ela tinha refluxo interno oculto (nome bem bonito).
Uma bela noite, nessas de esperar ela chorar, eu comecei a pensar que eu tinha que colocar tudo no seu devido lugar e dar aos donos a responsabilidade por cada uma das coisas que estavam acontecendo.
Em primeiro lugar eu assumi que não dormia por conta das minhas neuroses, e não por algo que a Fernanda fazia. Logo depois eu assumi que a minha vida estava uma bela porcaria antes da Fernanda nascer e que eu estava sendo muito injusta em jogar isso tudo no colo de uma pessoa que não tinha nem 4 quilos ainda. Ai eu resolvi enfrentar os meus fantasmas, os meus monstros todos.
Naquela noite eu explodi. Tive crises horríveis de vômito, de choro, de tudo. Consegui falar com o meu ginecologista e ele me indicou um psiquiatra. Ele entrou com um antidepressivo, eu tive que começar a terapia no mesmo dia.
Foram dias terríveis. Como é difícil a gente se encontrar com a gente mesmo.
Impressionantemente o choro da Fernanda diminuiu assustadoramente. Não sei se teve ou não alguma relação com o Label, mas ela passou a ser uma menininha muito mais sossegada.
Eu tive que enfrentar monstros e demônios da minha cabeça. Enfim, tive que me enfrentar. Foram meses e meses de antidepressivo, de melhoras e pioras, de terapia constante e então, depois desse tempo, eu pari uma nova Ana.
Ainda estou tateando pra saber quem eu mesma sou. Tenho me permitido muito mais, sabido e exercido a vida além da maternidade e descoberto pequenos prazeres antes inimagináveis. Com isso me tornei uma mãe melhor. A Duda demonstra isso claramente, até porque ela conheceu a Ana anterior e a Ana atual.
E a Fernanda? Hoje eu a vejo e penso em como fui boba de imaginar que a minha vida podia ser boa sem ela.
TPM »
Mais sobre os monstros
maio 19, 2010 por ananova1
Mto bom saber que não é só eu quem passou por tantos problemas e tb relutou…
Estou grávida de novo, de 7 meses, estou com um calmantinho natural, mas sei que vou acabar entrando num mais forte… São mtas mudanças na vida, mesmo que a gente queira essa mudança, ela são um mundo novo, e ver que não é só com a gente, ajuda e mto…
Que bom que vc está melhor… Ou como vc mesma falou, tateando um mundo melhor…
Bjs
Eu tb estou grávida denovo, da Isabela, e ansiosíssima pois já estou me dirijindo à 40a semana. O tempo está se esgotando, e eu começo a me questionar sobre tirar o trono da Catarina, me preocupo de como ela receberá a irmã (mesmo que ela esteja empolgadíssima), se é justo com ela e com a gente, começar tudo de novo. Às vezes acho que eu é que estou relutando com a chegada dela, por isso chego ao fim do prazo normal sem nenhum sinal de trabalho de parto (tão raro hoje em dia chegar às 40 semanas, não?). Estou construindo, e a obra atrasou, e fico pensando em ter que pensar nos acabamento da obra em meio a mamadas e choros e cólicas, e etc… Enfim, no fundo no fundo, toda a calma que eu tive com a chegada da primeira, está me faltando na chegada da segunda, e estou me pelando de medo. Mas, Anna, bom saber que todas nós passamos por questionamentos, medos e ansiedades, e que deu certo para ti, no final das contas (pelo menos está dando!). Beijos.
Aninha, sabe que eu te adoro né? Vc é uma mulher muito valente.