Minha avó é uma mulher sábia e extremamente ativa. Com noventa e tantos anos, quatro filhos, doze netos e uma vida inteira, ela acompanha a vida dos netos e dos filhos, nos liga sempre, da palpite, cozinha, lava, passa, acompanha todas as notícias e tem opinião formada – e muitas vezes bem mais mudeeeerna que a minha – sobre todos os fatos. E certamente ela tem muito a ensinar.
Quando a Duduca nasceu, ainda na maternidade, ela me ligou e contou uma história (porque ela sempre conta uma história pra dar um conselho). Diz que lá em Minas tinha um professor muito sábio. Um dia uma mãe ligou para o tal professor e perguntou: “professor, a partir de quando eu devo educar o meu filho?” E o professor respondeu perguntando a idade do filho da moça, que, à época, tinha três meses. Então ele disse a ela “pois é, você já perdeu três meses”.
Essa história foi contada pela minha avó na tentativa que eu deixasse a Duduca bastante no berço e no carrinho, a final eu voltaria a trabalhar num prazo de cinco meses a contar daquele dia. E eu não fiz isso porque ela chorava demais e o colo parecia ser o melhor lugar pra ela.
Com isso a Duduca aprendeu a dormir no colo, coisa que, de início, não era de todo o mal, pois com três meses ela dormia em cinco minutos, eu a colocava no berço e assim ela ia até o dia seguinte. Mas com seis meses ela começou a acordar todas as madrugadas, hora após hora, e a nossa vida – e a dela também, ficou complicada. Tanto ela como eu e marideo viviamos cansados, mal-humorados, indispostos, o que só foi resolvido com o Nana, Nenê, do Eduard Still (que ao contrário do que todo mundo acha, não manda abandonar o filho chorando no berço sozinho pela noite adentro).
Com essa experiência e com todo esse sofrimento, eu e marideo combinamos que com a Fernanda tudo seria diferente, a final já dizia a minha avó: acostume-a no carrinho ou no berço e tudo dará certo.
Mas, como dizia um famoso jogador de futebol, a gente esqueceu de combinar com os russos…
Fernanda chora. E chora muito. E tem cólica. E aquilo deve doer que é um horror. Basta estar acordada para ela estar chorando. E juro, por mais que eu queira, eu não consigo acreditar que uma criança de um mês e poucos dias faça essa manha toda. E a coragem pra seguir o conselho da minha avó?????
Rapidinhas:
-Por conta da cólica da Fernanda eu já perdi dezesseis quilos desde que ela nasceu. Isso mesmo, dezesseis… Já estou três quilos mais magra do que antes de engravidar dela. Quer a receita? Corte todos os doces, café, leite e derivados, feijão…passe a viver de arroz, chuchu, vagem, cenoura, file de frango, bife, banana e mamão.
-Duduca está impagável, uma fofa, super divertida. Agora vai começar a natação que ela conseguiu arrancar do pai no gogó.
-Meu casamento está reentrando nos eixos. É engraçado porque quando a Duduca nasceu ele desandou bem. O nascimento da Fernanda, de alguma forma, está nos unindo bastante.
- A babá da Duda não é mais babá da Duda. Ela pediu pra mudar de cargo e eu acabei achando melhor demití-la diante do péssimo desempenho na nova função. E o melhor de tudo: a Duduca não sofreu nadica de nada com isso….e eu sofri uns 15 dias essa demissão achando que minha filha ia ficar triste..
- São 23h49min. Eu estou trôpega de sono, mas vou amamentar ainda e rezar pra Fernanda ir até amanhã…Avê Maria….